terça-feira, 23 de agosto de 2011

Primeiro dia de caminhada da Marcha da Reforma Agrária do Século XXI



Dia 22 de agosto, às 6h da manha, os marchantes começaram a deixar a Escola Municipal Professor Lourenço Ferreira Campos rumo à cidade de Terezopolis, a cerca de 30 km de distancia de Goiânia.


Foram cinco horas de caminhada, musica, solidariedade e interação. Não foram raras as manifestações de apoio dos motoristas de carros e caminhões que passaram durante percurso da Marcha. Por volta das 12h35min, chegamos ao primeiro ponto de parada da Marcha da Reforma Agrária do Século XXI, onde pernoitamos para seguir caminhando no dia seguinte rumo à cidade de Anápolis.


Ato de Lançamento da Marcha da Reforma Agrária do Século XXI


Delegações de trabalhadores e trabalhadoras do campo de todo o país começaram a chegar a Goiânia no dia 20 de agosto para dar início à Marcha da Reforma Agrária do Século XXI. A Escola Municipal Prof. Lourenço Ferreira Campos, em Jardim Guanabara III, foi o lugar que acolheu os/as marchantes.

No dia 21 de agosto de 2011, no Ginásio de Esportes da escola, ocorreu o Ato de Lançamento da Marcha da Reforma Agrária do Século XXI.



Durante o ato, compuseram a mesa: Celso Lacerda (Presidente do INCRA), Jorge Tadeu (Superintendente do INCRA – Goiás), Marco Aurélio (Superintendente INCRA – DF), Marina Sant’anna (Deputada Federal – PT/GO), Joaquim Ferreira da Silva (Chefe da Divisão de Obtenção INCRA-DF), Péricles de Castro (Secretaria Municipal de Educação de Goiânia), Bruno Maranhão (Coordenação Nacional do MLST), Aparecido Ramos (Coordenação Nacional do MLST), Isaura Lemos (Deputada Estadual PDT/GO e Presidente da Comissão Agrária da Assembléia Legislativa de Goiás), Saulo Reis (Representante do Deputado Estadual pelo PT-GO, Mauro Rubem), Antônio Chagas (Representante da CUT Goiás), Cícero Rocha (Representante da Comunidade Negra de Jardim Guanabara – Goiânia-GO), Roseli Maria Valeriano de Oliveira (Diretora da Escola Municipal Prof. Lourenço Ferreira Campos), Isolete Wichinieski (Coordenadora da CPT) e Adilson Vieira (Coordenador Regional da CPT).

Liderança feminina na Marcha da Reforma Agrária do Século XXI

Uma das principais lideranças nacionais pela reforma agrária é uma mulher, filha de cortadores de cana do interior de Pernambuco, que entrou para a luta pela transformação da estrutura agrária brasileira aos 18 anos, depois de haver participado de uma ação de ocupação de uma fazenda, em 1996. Hoje ela é da coordenação nacional do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) – o segundo maior movimento social pela reforma agrária no Brasil – faz pós-graduação em Soberania, Segurança Alimentar e Agroecologia no semi-árido pernambucano e dirige a mais importante atividade da história do Movimento – A Marcha da Reforma Agrária do Século XXI.

Vânia Araújo se preocupa em dar pelo menos um breve retoque na maquiagem antes de tirar as fotos para a entrevista. Ajeita o cabelo, vai até o espelho, passa um batonzinho. Mas quando se trata de dar opinião suas respostas são diretas e contundentes. “A reforma agrária no Brasil ainda é vista como uma política de compensação, e não como um projeto de desenvolvimento”.

Para a representante do MLST essa é a reconfiguração do debate sobre a reforma agrária que se faz necessário para garantir um projeto estruturador de desenvolvimento para o país. E isso será alcançado quando a reforma agrária for finalmente entendida como um processo de inclusão social, com distribuição de terra e produção de alimentos.


UMA MARCHA DE 200 KM –
Assim como outros movimentos sociais, o entendimento do MLST é de que a reforma agrária não é tarefa só de um setor da sociedade, mas do conjunto dos atores sociais, do campo e da cidade.

É por isso que foi proposta a realização da “Marcha da Reforma Agrária do Século XXI”, como um importante meio de recolocar a questão da reforma agrária na agenda política nacional. “A Marcha vai chamar a atenção para a necessidade de dar mais peso ao Eixo da Inclusão Produtiva, o menos desenvolvido dos três pontos do Programa de Combate a Miséria do governo Dilma. Queremos mobilizar tanto os setores ligados a questão da terra, bem como parlamentares, prefeitos e governadores e sociedade civil em geral com o objetivo de discutir o papel da reforma agrária na superação da pobreza no país”, explica Vânia.

Serão milhares de militantes e simpatizantes da reforma agrária, em diferentes delegações de vários movimentos sociais, que irão participar de todo o percurso, mais de 200 km de Goiânia a Brasília, passando por mais de dez cidades durante 15 dias, iniciando no dia 21 de agosto.

O lema da Marcha é “Aperte a mão de quem o alimenta”, porque, como explica a militante, já esta comprovado pela própria ONU que a agricultura familiar e assentamento de reforma agrária são responsáveis pela produção de 70% da produção de alimentos básicos da mesa do brasileiro e 74% da mão de obra do campo.


AGRONEGÓCIO X AGROECOLOGIA
O foco central da Marcha será, justamente, a questão da produção de alimentos agroecológicos em oposição a produção de alimentos utilizando veneno - da forma como realiza a monocultura do agronegócio brasileiro.

Desde sua fundação o MLST coloca que como diretriz política o inimigo da reforma agrária não é mais o latifúndio improdutivo, senão o agronegócio. Isso é o que embasa, segundo Vânia, o conceito de reforma agrária do século XXI porque abre um embate direto contra o modelo agrícola excludente que é promovido pelo agronegócio: monocultura, utilização de veneno, desemprego. “Já denunciamos isso há muito tempo, e outros movimentos, ao reconhecerem hoje também que o inimigo é o agronegócio, revela que há uma correlação de forças no Brasil que unem os movimentos sociais do país sob a bandeira da denúncia da exclusão no campo brasileiro”, analisa.

Por isso a disputa com o agronegócio é necessária: se o projeto do agronegócio é concentração, o da agricultura familiar e do assentamento de reforma agrária é a democratização da terra; o agronegócio estabelece a monocultura, a agricultura familiar promove a diversificação de alimentos; o agronegócio produz alimentos utilizando agrotóxicos e sementes modificadas, a agricultura familiar defende a produção de alimentos orgânicos, com métodos agroecológicos e inclusão de mulheres e jovens.

“Há uma incompatibilidade entre o agronegócio e a agroecologia. São projetos antagônicos que estão em disputa”, afirma Vânia Araújo.

Para o argumento de que é o agronegócio que traz riqueza para o país ao equilibrar a balança comercial, Vânia lembra que também é o agronegócio que exporta matéria-prima. “Não temos beneficiamento de grãos, não agregamos valor, não geramos emprego, não temos indústria. Isso gera situações como uma Alemanha com o titulo de maior exportador de café do mundo, sem sequer produzir café. Eles compram de vários países, especialmente do Brasil, e lá beneficiam e exportam para outros locais. O agronegócio não promove o desenvolvimento da nação do ponto de vista da indústria e da geração de emprego”.


REFORMA AGRARIA DO SÉCULO XXI
Por isso o mote principal do projeto de reforma agrária do século XXI do MLST são as Empresas Agrícolas Comunitárias, que é exatamente o planejamento da produção nos assentamentos de reforma agrária para permitir que haja o beneficiamento da produção agregando valor e gerando emprego e renda.

“Com isso também queremos garantir produtos de melhor qualidade para a população brasileira. A humanidade hoje quer uma vida mais saudável e isso passa necessariamente pela alimentação de qualidade que quem pode prover é a agricultura familiar, e não o agronegócio”, pondera Vânia.

No dia 21 de agosto, no lançamento da Marcha, haverá a inauguração também da Empresa Agrícola Comunitária de Lacticínios do assentamento Che Guevara, no município de Itaberaí, em Goiás.

Ainda estão programadas para serem lançadas brevemente as Empresas Agrícolas Comunitárias de distribuição de alimentos em São Paulo, outras duas de laticínios em Minas Gerais e no sertão pernambucano, e uma de beneficiamento de frutas no Rio Grande do Norte.

“A agricultura familiar e o assentamento de reforma agrária não apenas cumprem um papel estratégico para o desenvolvimento do país, como também para a alimentação de qualidade para o mundo”, conclui a líder do MLST.

sábado, 20 de agosto de 2011

Caminhada de 250km pela Reforma Agrária do Século XXI inicia este domingo, dia 21 agosto

A partir deste domingo, dia 21 de agosto, milhares de pessoas dão inicio a uma das maiores manifestações de massa a favor da reforma agrária brasileira nos últimos dez anos – a Marcha da Reforma Agrária do Século XXI.

A Marcha da Reforma Agrária do Século XXI é um amplo projeto de articulação social promovidos pelo MLST e estabelecido através de uma caminhada de mais de 200 km de Goiânia até Brasília em parceria com as entidades de luta pela terra e a favor da reforma agrária como CPT, FETRAF, CUT e CMP, além de contar com o apoio do Incra e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. A idéia é recolocar a questão da reforma agrária de volta a agenda política nacional, para a sociedade e para o governo federal. A base teórica é o projeto político de reforma agrária do MLST intitulado: “Reforma Agrária do Século XXI no Combate á Pobreza”.


O Ato Público de Lançamento da Marcha acontecerá DOMINGO, 21 de agosto de 2011, no Ginásio de Esportes Professor Lourenco Ferreira Campos
Rua GB11, n. 60, Jardim Guanabara III - Goiania-GO


A caminhada começará na segunda-feira, 22 de agosto, 5 da manha.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Programação completa da Marcha da Reforma Agrária do Século XXI

21/8 – Ato Público de Lançamento da Marcha
Local: Praça Universitária – Setor Universitário – Goiânia/GO
Horário: 9h

22/8 – Saída da Marcha
Horário: 5h
Trecho: Goiânia – Terezópolis de Goiás
Distância: 30 Km
Previsão de Chegada: entre 11 e 12h
Atividade: Pernoitar

23/8 - Saída da Marcha
Horário: 5h
Trecho: Terezópolis de Goiás - Anápolis
Distância: 25 Km
Previsão de Chegada: entre 11 e 12h
Obs.: A marcha ficará em Anápolis nos dias 23, 24 e 25/8/11
Atividade: Formação Política e Seminário

26/8 - Saída da Marcha
Horário: 5h
Trecho: Anápolis - Abadiânia
Distância: 30 Km
Previsão de Chegada: entre 11 e 12h
Atividade: Pernoitar

27/8 - Saída da Marcha
Horário: 5h
Trecho: Abadiânia – Alexânia
Distância: 30 Km
Previsão de Chegada: entre 11 e 12h
Dias: 27 e 28/8
Atividade: Formação Política

29/8 - Saída da Marcha
Horário: 5h
Trecho: Alexânia – Povoado do Engenho
Distância: 25 Km
Previsão de Chegada: entre 11 e 12h
Atividade: Montar acampamento

30/8 - Saída da Marcha
Horário: 5h
Trecho: Povoado do Engenho – Divisa Goiás/Brasília
Distância: 25 Km
Previsão de Chegada: entre 11 e 12h
Atividade: Montar acampamento

31/8 - Saída da Marcha
Horário: 5h
Trecho: Divisa Goiás/Brasília - Samambaia
Distância: 25 Km
Previsão de Chegada: entre 11 e 12h
Dias: 31/8, 1º e 2/9
Atividade: Formação Política

3/9 - Saída da Marcha
Horário: 5h
Trecho: Samambaia – Núcleo Bandeirantes
Distância: 25 Km
Previsão de Chegada: entre 11 e 12h
Dias: 3 e 4/9
Atividade: Formação Política

5/9 - Saída da Marcha
Horário: 5h
Trecho: Núcleo Bandeirantes – Parque da Cidade (Plano Piloto)
Distância: 20 Km
Previsão de Chegada: entre 11 e 12h
Dias: 5 a 9/9
Atividade: Formação Política, Seminário, Agenda Governamental

Importante: no dia 7 de Setembro participaremos da Atividade do Grito dos Excluídos.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Junte os seus pés à Marcha!

Dia 21 de agosto de 2011 teremos o Ato Público de Partida da Marcha da Reforma Agrária do Século XXI.

A concentração será na Praça Universitária, Setor Universitário – Goiânia/GO, a partir das 9h da manhã.

Seremos mais de 1200 pessoas, entre assentados, acampados e militantes da Reforma Agrária, chamando a atenção para o projeto político da Reforma Agrária do Século XXI, dialogando com a sociedade nessa grande atividade de massas.

Marcharemos pela Soberania Alimentar: sementes crioulas; autonomia da produção; quintais produtivos; economia solidária; praticas conservadoras do solo e manejo ecológico dos recursos naturais e o circuito curto de comercialização.

Marcharemos pela construção de Acampamentos Produtivos, Assentamentos Inteligentes e a Empresa Agrícola Comunitária, pela criação de Pólos de Desenvolvimento do campo brasileiro, gerando milhões de postos de trabalho, onde o ser humano será o empreendedor comunitário e não apenas um vendedor de sua força de trabalho.

Marcharemos contra o processo de financeirização em forma de commodities, impulsionada pelo agro-negócio, e que vem colocando em risco a segurança e a soberania alimentar e nutricional do nosso povo.


Junte-se a nós!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Aperte a mão de quem o alimenta!

A Marcha da Reforma Agrária do Século XXI é de todas as pessoas que lutam para acabar com a fome e a miséria no Brasil. É a Marcha da confraternização dos que trabalham no campo e na cidade pela democratização da terra, para produzir alimentos saudáveis livres de agrotóxicos, pela soberania alimentar, para avançar na transformação social do país.

Saída: 21 de Agosto de 2011

212 km de caminhada desde a cidade de Goiânia rumo à Brasília

Chegada: 7 de setembro


SAIBA MAIS:
Twitter: @marchamlst21
Facebook: /marcha.mlst